Entenda o que é e como instalar um servidor Samba no Linux

Caso você esteja habituado a pesquisar sobre o GNU/Linux, já deve ter notado que existe uma infinidade de possibilidades a ser explorada com o sistema do pinguim. Muito disso se deve às inúmeras distribuições e, também, às aplicações como o servidor Samba.

samba do linux com instalar

A que devemos creditar sua tamanha popularidade? A resposta é simples: o Samba é um software executado em servidores, responsável por estabelecer interações com redes constituídas por computadores operados em Windows possibilitando, assim, que todos os seus recursos sejam gerenciados e compartilhados.

Ficou interessado em saber mais sobre o servidor Samba? Neste artigo você terá acesso a mais informações e, de quebra, aprenderá a instalar o programa por meio de um procedimento simples e rápido. Vamos lá?

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Qual é a origem do servidor Samba?

De acordo com a história disponibilizada pelo site oficial, no documento Samba: An Introduction, tudo começou a muito tempo, quando as empresas IBM e Sytec, após firmarem uma parceria de co-desenvolvimento, desenvolveram um sistema de rede projeto para construir pequenas redes locais.

Havia naquele sistema um “pedaço de software”, conhecido até hoje como NetBIOS (Network Basic Input Output System), que fornecia uma interface entre os programas e o hardware de rede.

O NetBIOS passou por uma grande evolução, tornando-se capaz de trabalhar com protocolos de alto nível — entre eles o famoso TCP/IP. Mais tarde, depois de o Windows se consolidar no mercado, a Microsoft acrescentou ao protocolo SMB (Service Message Block) um controlador de domínio (Windows NT Domain Control).

Eis que entra em cena Andrew Tridgell

Em meio a todos esses acontecimentos, o australiano Andrew Tridgell montou um espaço em disco para servidor Linux em uma máquina que rodava o sistema operacional DOS. Para isso, Tridgell obteve algum sucesso ao usar seu cliente NFS (Network File System).

No entanto, ainda havia um aplicativo que requeria suporte ao protocolo NetBIOS, algo que não poderia ser obtido com o NFS. Aparentemente não havia solução para o problema… Aparentemente.

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Tridgell foi longe com suas ambições, a ponto de escrever um sniffer (um programa que analisa redes) e executar engenharia reversa no protocolo SMB.

O resultado de todo esse trabalho não fora em vão: o servidor UNIX foi reconhecido pelo DOS como um servidor de arquivos Windows. Após disponibilizar o código ao público no ano de 1992, chegando até mesmo a realizar nele algumas melhorias, o projeto foi descontinuado e só voltou à tona dois anos depois.

Na época, Tridgell quis conectar o computador de sua esposa — que rodava uma versão do Windows — ao seu sistema Linux. Devido à falta de opções, ele optou por experimentar o seu antigo código, testemunhando, com certa surpresa, o seu funcionamento.

A partir daí Tridgell se interessou ainda mais pelo assunto, tendo descoberto, com auxílio dos seus contatos de e-mail, que os protocolos SMB e NetBIOS tiveram suas documentações atualizadas, motivando o australiano a retomar o projeto.

Não demorou muito para que novos obstáculos surgissem. Dessa vez, no entanto, o que ameaçou o seu progresso não foi um problema técnico, mas sim legal: uma companhia entrou em contato para reivindicar os direitos sobre o nome do software.

Porém, diferentemente dos problemas anteriores, a solução para este foi simples de encontrar. A fonte foi um dicionário, usado com o propósito de pesquisar uma palavra que tivesse as letras “s”, “m” e “b”, chegando à palavra samba — como o software seria batizado posteriormente.

Enfim, o “final feliz” para qual a história foi conduzida tem rendido novos capítulos até os dias atuais. Hoje o Samba possui milhões de usuários pelo mundo todo e é desenvolvido por uma equipe qualificada liderada por Andrew Tridgell.

Quais são as suas principais funcionalidades?

Dentre tantas funcionalidades presentes no servidor Samba, podemos destacar:

  • compartilhamento de arquivos, impressoras, diretórios, entre outros, com máquinas que rodam o Windows;
  • controle de acesso e privilégios;
  • resolução de nomes (DNS);
  • configurações a partir de ambientes remotos.
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Vale ressaltar que os recursos do Samba são bastante completos. Não por acaso, muitas corporações que possuem equipes de TI dedicadas usufruem dos recursos do Samba.

Que vantagens o Samba oferece?

Como a principal função do servidor Samba é simular um servidor Windows, mais precisamente as distribuições do Windows Server, inevitavelmente o custo-benefício entra em jogo a favor do Samba.

Levando em consideração os bugs, que são muito menos recorrentes no Samba, a estabilidade e a segurança — visto que o software é instalado em um sistema GNU/Linux —, o sistema da Microsoft fica para trás.

Instalando o servidor Samba em 3 passos!

Neste tópico, você verá que o processo pode ser realizado de maneira simples. Usaremos como exemplo a instalação / configuração do Samba em um servidor Debian, mas que pode se adequar a outras distribuições do GNU/Linux por meio de adaptações.

1. Instale o Samba

Para iniciar a instalação, digite o comando abaixo, caso você tenha dúvidas sobre gerenciamento de pacotes no LINUX veja esse artigo aqui.

# apt-get install samba

Observação: essa etapa depende da distribuição que receberá a instalação, pois os pacotes são específicos para cada uma delas.

2. Crie os diretórios

Tendo em mãos o número de grupos de usuários a serem conectados à rede, comece a criar diretórios usando o comando:

# mkdir /samba

Para criar subdiretórios dedicados a cada departamento da empresa, por exemplo, digite:

# mkdir /samba/vendas

3. Configure o Samba a partir do arquivo “smb.conf”

A configuração do Samba é feita em um arquivo chamado “smb.conf”, localizado no seguinte destino: /etc/samba/smb.conf.

Para modificar o nome do arquivo, digite:

# mv /etc/samba/smb.conf /etc/samba/smb.original.conf

Abra o seu editor de textos (no exemplo está sendo usado o Nano) e digite:

# vim /etc/samba/smb.conf

A configuração do servidor Samba é feita em seções. Cada seção é representada por um nome escrito entre colchetes (exemplo: [global]; [share]) e cada seção possui parâmetros específicos. Iniciaremos a nossa configuração pela seção [global], na qual estabeleceremos as configurações para todo o servidor e compartilhamento. Veja:

[global]

server string = Servidor Samba    #Nome DNS
 netbios name = nomedoservidor    #Nome NetBIOS
 workgroup = WORKGROUP    #Grupo de trabalho dos clientes Windows
 security = share #Isso fará com que uma senha Unix seja solicitada somente aos usuários que não possuem permissão para acesso
 log = /var/logs/samba/samba.log #Para centralizar o log (registro de cada conexão realizada com o servidor)

Observação: a opção “security” também pode ser marcada como: “none” (sem senhas) ou “user” (será solicitada uma senha Unix antes de definir o compartilhamento a ser acessado).

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Observação²: na opção “log” é possível aplicar uma variável (a “%m”) correspondente a cada computador que se conecta ao servidor. Com isso, caso você queira criar um log descentralizado, ou seja, um log por máquina conectada, use a seguinte configuração:

/var/logs/samba/%m.log

Feito isso a configuração [global] está concluída. Em seguida, serão configurados os compartilhamentos — você poderá criar vários deles, portanto, simulando uma configuração corporativa, cada compartilhamento corresponderá a um setor da empresa.

[vendas] #Nome do compartilhamento
comment: área restrita ao departamento de vendas
 path: /samba/vendas
 public: yes #Caso o acesso tenha de ser feito com uso de senha, digite “no”
 writable = yes #Isso irá permitir alterações no diretório (“yes” ou “no”)
 #a opção “valid users” não precisa ser configurada no momento

Pronto! Agora que as configurações básicas foram feitas, vamos testá-las. Para isso é necessário reiniciar o servidor Samba:

# etc/init.d/samba restart

Vamos validar as configurações em um computador Windows que esteja inserido no grupo de trabalho e vá em “Executar” (use o atalho Win + R) e digite “\\[server string]” (sem aspas) e dê OK.

O que vai acontecer daqui em diante dependerá de como o parâmetro “security” foi configurado. Caso tenha sido marcado como “none” ou “share”, não será necessário digitar senha — do contrário, posteriormente será preciso configurar as permissões.

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Sobre pedrodelfino

Trabalha a mais de 14 anos com administração de sistemas LINUX, dedicado em ensinar novos profissionais a atuar com servidores. Saiba mais aqui. "Caso queira participar de uma aula online comigo utilize o formulário Acima"

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